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Um conto real

Lembro-me de cada lágrima que caiu no teu rosto. Do teu corpo frio, magro e trémulo na minha frente. Do medo, da raiva e do ódio que espelhavam os teus olhos. Da fragilidade, da insegurança e do peso que carregavas no teu peito. Lembro-me de como chegas-te até mim. Maria. Chamo-a assim de Maria pois bem sei que irá reconhecer estas palavras… Praticamente sem cor, sem força, sem amor e exausta por uma vida que imaginas-te, algures, ser a ideal mas que aos poucos, lentamente, se degradou e se transformou num pesadelo… Apesar de tudo acreditas-te em ti. A luta foi grande. O processo nem sempre o mais fácil, por vezes até muito doloroso, mas valeu apena, a tua transformação chegou e está à vista de todos. És uma mulher totalmente diferente daquela que conheci. Tens vida, luz, brilho, um sorriso cheio, uma gratidão imensa por estares viva e seres feliz! Lembro-me da primeira vez que entrei na tua casa e vi espelhado o sofrimento, a ansiedade e o medo. A confusão e a opressão eram visíveis em cada canto. Era urgente mudar! Limpar todos os vestígios de dor, tristeza e lágrimas. Era urgente tratar de ti! Tratar das plantas a morrer, secas, sem vida à entrada de casa, das luzes fundidas por todo o lado, da acumulação e da desorganização instalada, tal e qual, como estava a tua vida. Era urgente acabar com os sinais de luta, com os vidros espalhados pelo chão, com os objetos partidos nas várias zonas da casa e com aquele ambiente denso que as paredes continham. Era preciso separar o que te fazia bem do que te fazia mal, mais difícil seria, livrares-te do que ainda estava a mais… No fundo sempre soube que o teu ódio e raiva eram fruto do medo de viver, de recomeçar. Pensavas tu que ainda era amor… Também não era para menos ou não te tivessem roubado o teu conto de fadas. Fechada para o mundo tinhas medo até da tua própria sombra. Não abrias as janelas e ficavas sentada de costas para tudo. Vivias apenas uma divisão da casa, todo o resto, estava fora do sítio ou vazio. O desafio foi lançado e por ti aceite. Trabalhámos a casa, o teu emocional e a tua energia. Alterámos matrizes lembras-te? Confesso que foi um grande desafio para mim. Aprendi muito contigo. Hoje constróis novos castelos, sem medos, sem ânsias nem lágrimas. Agora vives o presente. Fizeste as pazes com o teu passado, soubeste perdoar e agradecer, não parecia nada fácil no início mas conseguiste e isso mudou a tua vida! Obrigada por tudo, Maria… PS: ainda não passei para beber o café mas como vez nunca me esqueço de ti! Beijocas 😉

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